10 Julho, 2008

Marketing constrangedor.

Quem trabalha em agência de publicidade, marketing, whatever, vez ou outra, depara-se com idéias “geniais” do tipo, “vamos colocar o anúncio dentro da privada e daí essa será a mais nova e surpreendente mídia no mercado”. Beleza, suponhamos que algum produto possua relevância para aparecer dentro de um vaso sanitário, mas daí a achar super ver anúncios grudados em tudo quanto é parede, chão, objeto, buraco não me soa de muito bom gosto, não. Particularmente, não gosto de ver propaganda em cada centímetro cúbico que me cerca. Preciso de um pouco de vazio, de tempo para respirar, pensar, apreciar a paisagem, a decoração, o que me obriga a considerar como lixo (ou “grandes merdas”) qualquer anúncio adesivado na mesa do meu restaurante favorito, por exemplo.

Nesse sentido, lembrei-me de uma mania que algumas empresas possuem de transformar promotores de venda em totens ambulantes. Fazem com que carreguem em seus corpos umas geringonças metálicas com banners sobre promoções ou avisos de “compre aqui” ou fantasias toscas. Então, enquanto, eles perambulam atrás de prováveis clientes, eu mudo o caminho, desvio o olhar, me finjo de morta. E não porque não quero comprar coisas (ok, às vezes, isso também), mas porque me sinto bastante constrangida ao vê-los fantasiados dessa maneira - a própria feição coagida desse pessoal não me deixa outra escolha. É mais forte do que meu impulso consumidor para obter determinada marca: é só ver alguma empresa pagando alguém para agir de uma forma embaraçosa que, mesmo precisando do produto ou serviço naquele momento, ignoro ou vou atrás do da concorrência. Vergonha alheia me ataca bem forte nessas ocasiões e contra ela não há argumento, oh yeah.