Quer dizer, eu não, apenas o título deste post. Na verdade poderia intitular como “papo-furado em relacionamentos”, mas achei melhor utilizar a frase que costumo escutar bastante por ai – mais do que deveria.
Algumas pessoas podem me perguntar por que trato com desdém o trauma que nasce de uma traição, que é super natural alguém ficar defensivo depois de uns córneos na testa e que estou exagerando com meus ataques, blá. Tudo bem, por convenção, não chamarei mais de papo-furado, e sim de frescura.
Certo, você foi traído(a). Comeu o pão que o diabo amassou, ganhou uns chifres e levou um pé na bunda. E daí? Nada me estressa mais do que iniciar um relacionamento e a outra pessoa ficar naquele chove e não molha porque “acabou de sair de um caso muito sofrido, com doses cavalares de mentiras e adultério”. Novamente, e eu com isso?
O que realmente me incomoda nesse argumento é que ele não é tão inocente quanto parece. Na verdade, na maioria dos casos é o bom e velho “o problema sou eu” (aquele papo que ofende inteligência e sensibilidade da pessoa que está levando um fora) com uma pitada de “oi, estou bancando a vítima”.
Por que ouso dizer uma coisa dessas?
Porque imagine você, um(a) corno(a) necessitado(a), desiludido(a), conhecendo uma pessoa interessante, charmosa, sexy que lhe desperta uma paixão fulminante. Sabe quanto tempo você vai perder para discursar sobre o seu medo de se relacionar (bocejo) porque foi traído anteriormente? Nenhum.
A pessoa quando não está muito interessada no rolo é que possui um quase prazer de superestimar todos os problemas dessa encarnação e da encarnação anterior. Primeiro vai se dizer traumatizada, depois vai culpar o affair atual por uma provável sacanagem futura que ele ou ela ainda nem pensou em cometer. Tudo porque o problema não é a presença do chifre, mas a ausência do(a) antigo(a) responsável por ele, yeah.
Enquanto isso, o outro lado, o alvo das lamúrias e indecisões de um(a) coitadinho(a) recém saído de um dramalhão mexicano, só possui duas opções: entrar no jogo correndo o risco de se tornar também um choramingador profissional de pitangas ou sacanear exatamente como o sofredor inicial tanto temia (ok, estou brincando sobre essa segunda opção, mas o que você esperava? Um conselho de vá viver a sua vida e deixe de ser otário(a)?).
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