20 Março, 2009

Baseada em mentiras reais.

- Olá. Tá sumida, heim?
- É. Sim. Estou. Muitos trabalhos. Tudo bom com você?
- Faz um negócio pra mim?
- Também estou bem, pro caso de se interessar... Que tipo de negócio?
- Um negócio bem simples. Você entende bem disso, faz rapidinho!
- É que estou bastante ocupada. Muito mesmo. Não vai dar.
- Ah, deixa disso. Você é muito ágil e criativa. Tenho certeza de que não vai atrapalhar.
- Agradeço os adjetivos, mas nem eles estão me ajudando com os meus trabalhos. São muitos, sabe?
- E como! Eu mesmo tenho uma dúzia me esperando.
- Pois é. Então você deve saber que todo importante minuto desperdiçado gera uma espécie de ódio no coração da pessoa que o desperdiça.
- Ô, nem me fala... Mas vai poder fazer o negócio?
- ...
- Sim?
- Vou perguntar, por educação: o que seria esse negócio?
- Bem. Sabe aquilo daquela vez? Exatamente assim, só que diferente. Quer dizer, só pra não ser igual-igual. Entendeu?
- Até a segunda palavra...
- Não é complicado. Vou te mostrar o material e você pode criar a vontade. Confio em você.
- Eu não quero ver.
- Você precisa.
- ...
- Você pega isso e isso, mais aquilo e pronto. Simples. Daí é só você usar sua imaginação pra fazer um pouco diferente do que eu falei.
- ...
- E então, quando você me entrega?
- Não posso fazer. Estou mesmo muito ocupada.
- Relaxa, não é pra ontem...
- ...
- Por favor! Por favor! Por favor!
- Tudo bem. Deixa esse material aí...
- Poxa, muito obrigado. Obrigado mesmo.
- Quando terminar meus trabalhos, posso pegar nisso.
- Muito obrigado mais uma vez!
Três dias depois.
- E então? Conseguiu terminar o que pedi pra você?
- Ainda não terminei aqueles meus trabalhos...
- Mas já faz quase uma semana que pedi esse favor!
- Não, apenas três dias e continuo bastante ocupada.
- Pô, sacanagem! Se não podia fazer, avisava! Agora, aceita pegar o trabalho e fica enrolando. Que falta de respeito! Sabe que não vai poder, se compromete com a porcaria do negócio, fica enrolando e me atrapalha. Se tivesse sido sincera e dito que não ia dar, eu dava meu jeito. Ô, povinho irresponsável.

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