Em algum lugar do mundo – se ainda existir um – dois mil e vinte e sete.
- Estava googleando o nome do meu pai e olha o que encontrei.
- Que é isso? Seu pai tem um Fotolog? Ainda usam Fotologs?
- A última postagem data de dois mil e sete.
- Meus cromossomos ainda estavam separados por ai.
- É... E essa aqui também não é a minha mãe.
- Essa seminua enfiando a língua na orelha dele?
- Essa mesmo. Olha, olha aqui. Minha mãe é essa aqui, na outra foto com ele e mais uns cinco. Eram somente amigos.
- Feinha, heim?
- Mesmo assim diversificaram a amizade, olha essa outra foto... E essa música que ele postou.
- Artic Monkeys? Isso era muito ruim, cara. Essa geração curtia uma onda meio estranha.
- Emos, né? Eram todos emos naquela época.
- Mas não sei se essa banda era emo, não. Enfim, indies, emos, nunca consegui diferenciar muito bem.
- Rótulos demais, mesma bosta... Deixa quieto, melhor não ressuscitar década perdida.
- E no Orkut? Já deu uma pesquisada por lá.
- Já. Ele excluiu a conta.
- E a sua mãe?
- Hm. Deixa ver... Aqui. Essa aqui.
- Que foto é essa? Ela não comia, não? Ou era mal-comida?
- Respeita, cara.
- Desculpa, mas nem parece a dondoca que sai em coluna social hoje em dia. Com todo respeito, lógico.
- Você ta pegando pesado.
- Mas não é?
- Lê esse depoimento...
- Conheço essa cara. Hm, hm. Não é aquele jornalista? Aquele correspondente de guerra?
- Quase todos eles são correspondentes de guerra atualmente.
- Hm. Aquele que escreveu um livro: "a influencia da guerra na cultura pop", ou algo assim.
- É, acho que é.
- Ele namorou sua mãe?
- Parece que sim. Olha essas indiretas...
- Hehe ingênuos. E o depoimento foi escrito na mesma época daquela foto mais ousada lá com seu pai.
- Sério? Não tinha reparado.
- Err...
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