24 março, 2009

Relacionamentos 2.0.

- Seu referrer me levou até você.
- Nossa, possuímos as mesmas tags.
- Meu deus, que template mais jeitosinho!
- É a primeira vez que alguém comenta meu post assim...
- Ela me linkou! Acho que é amor!
- Eu não tô fazendo nada, seu twitter diz que você também.
- No meu blog ou no seu?
- Já reparou o meu novo “relationship status” no orkut?
- Vou poder postar pra todo mundo?
- Dá um refresh pra ver se funciona.
- Pensei que fosse um pagerank maior...
- Meus widgets nunca me decepcionaram antes.

20 março, 2009

Baseada em mentiras reais.

- Olá. Tá sumida, heim?
- É. Sim. Estou. Muitos trabalhos. Tudo bom com você?
- Faz um negócio pra mim?
- Também estou bem, pro caso de se interessar... Que tipo de negócio?
- Um negócio bem simples. Você entende bem disso, faz rapidinho!
- É que estou bastante ocupada. Muito mesmo. Não vai dar.
- Ah, deixa disso. Você é muito ágil e criativa. Tenho certeza de que não vai atrapalhar.
- Agradeço os adjetivos, mas nem eles estão me ajudando com os meus trabalhos. São muitos, sabe?
- E como! Eu mesmo tenho uma dúzia me esperando.
- Pois é. Então você deve saber que todo importante minuto desperdiçado gera uma espécie de ódio no coração da pessoa que o desperdiça.
- Ô, nem me fala... Mas vai poder fazer o negócio?
- ...
- Sim?
- Vou perguntar, por educação: o que seria esse negócio?
- Bem. Sabe aquilo daquela vez? Exatamente assim, só que diferente. Quer dizer, só pra não ser igual-igual. Entendeu?
- Até a segunda palavra...
- Não é complicado. Vou te mostrar o material e você pode criar a vontade. Confio em você.
- Eu não quero ver.
- Você precisa.
- ...
- Você pega isso e isso, mais aquilo e pronto. Simples. Daí é só você usar sua imaginação pra fazer um pouco diferente do que eu falei.
- ...
- E então, quando você me entrega?
- Não posso fazer. Estou mesmo muito ocupada.
- Relaxa, não é pra ontem...
- ...
- Por favor! Por favor! Por favor!
- Tudo bem. Deixa esse material aí...
- Poxa, muito obrigado. Obrigado mesmo.
- Quando terminar meus trabalhos, posso pegar nisso.
- Muito obrigado mais uma vez!
Três dias depois.
- E então? Conseguiu terminar o que pedi pra você?
- Ainda não terminei aqueles meus trabalhos...
- Mas já faz quase uma semana que pedi esse favor!
- Não, apenas três dias e continuo bastante ocupada.
- Pô, sacanagem! Se não podia fazer, avisava! Agora, aceita pegar o trabalho e fica enrolando. Que falta de respeito! Sabe que não vai poder, se compromete com a porcaria do negócio, fica enrolando e me atrapalha. Se tivesse sido sincera e dito que não ia dar, eu dava meu jeito. Ô, povinho irresponsável.

14 março, 2009

Etiqueta de rompimento.

Um guia prático de boas maneiras para pessoas que desejam pôr um fim na sua relação amorosa sem perder o decoro.

Fim de caso para quem já leu o manual (qualquer um, pode ser o da geladeira. Nunca se sabe o que existem nesses livretos, ninguém lê mesmo).

- Bom dia.
- Bom dia. Fique a vontade. Deseja beber algo? Café, água?
- Sim, claro. Café.
- Diga-me, o que ocorreu para marcar um encontro tão cedo? Alguma saudade extraordinária?
- Não. Trata-se de um assunto delicado.
- Sendo assim, prossiga.
- Recebi uma proposta e vou me desligar de você...
- Hmm...
- E já conhecendo o seu perfil de negociação, prefiro não arriscar uma contraproposta.
- Entendo. Não posso oferecer muito e a competição é acirrada. É só você esquecer um aniversário-de-qualquer-coisa que já vem a concorrência prometer não somente lembrar, como também levar pra jantar.
- Está difícil pra todo mundo. Tive muita sorte em ficar com você, lembra? Aquela sua antiga pretendente era bem mais multidisciplinar...
- Isso é verdade, entendia de um tudo... O problema foi ela já querer que eu assinasse uns contratos que lhe davam direito a metade dos lucros... Inegociável. Mas então apareceu você, recém dispensada de um estágio mal-amado, inexperiente, com vontade de mostrar serviço, não pensei duas vezes.
- Isso eu não posso negar, mas meu foco mudou. Resolvi arriscar um sonho antigo e fiz os meus contatos. Conversamos e ele me ofereceu o dobro do que você me oferece.
- O dobro? Acho difícil alguém oferecer mais do que eu já ofereço, mas se você prefere assim... Poderia, antes de ir, porém, preencher esse formulário com sua opinião a respeito do meu desempenho, sua avaliação, críticas, sugestões, elogios. É uma forma que estou adotando para o auto-aperfeiçoamento.
- Lógico, por que não? Foi um prazer, enquanto pôde ser um, estar ao seu lado.
- O prazer foi meu. Desejo que encontre muito mais para onde você está indo.
- Muita gentileza da sua parte. Desejo o mesmo para você!
- Ah, outra coisa...
- Diga...
- Enquanto procuro outra... Pode cumprir trinta dias de aviso prévio?

10 março, 2009

Conceituando: Alguns ísmos.

Uma religião qualquer

Então, Deus criou uma comunidade no Orkut e disse.

“Vá, homem, agora ela é toda sua. Você tem livre-arbítrio pra fazer o que quiser lá dentro”.

Regozijado, o homem aceitou sua missão, mas logo percebeu que deveria trocar as comunidades relacionadas, o nome, a foto e a descrição da comunidade em questão.

Deus, que era um dos membros mais ativos, notou as mudanças e revoltou-se mas, antes de agir drasticamente, pediu que outro membro moderasse um acordo.

O cara do acordo conseguiu influenciar dúzia de pessoas que, mesmo depois de sua expulsão do Orkut – por arruaça – continuaram a sua luta pelas “reformas já”.

Arranjaram algumas mudanças, negociaram outras e Deus, ainda assim, odiou tudo, passando a atacar, calorosamente, com denúncias e spams do fim do Orkut grátis até que a comunidade desaparecesse completamente.

“Eu disse que tinham livre-arbítrio, mas não mandei mudar a essência da minha diversão, idiotas”.

Ateísmo

Outras pessoas, sabendo da confusão, iniciaram debates:

“Cara, já falei, Deus não criou essa comunidade. Você já viu ele por aqui pelo Orkut, heim? Se ele não tá no Orkut, ele não existe, porra”.

“E aquele lá que eu achei dia desses enquanto procurava por uma comunidade de 'milagres pra conseguir um emprego e deixar de ser corno'? Hã? Hã?"

“Bogus, meu. Tudo fake”.

Ceticismo

Os burburinhos dividiam opiniões. Alguns iniciavam guerras de spams viróticos e outros permaneciam nos discursos:

“Me disseram que aquela comunidade lá, que Deus criou e deu pra um cara ai, sumiu”.

“Mas Deus nunca entrou no Orkut. Se Deus não orkuta, logo, não existe”.

“Eu tenho certeza que existe e que continua na ativa: com profile e tudo. Que é só procurar no 'pesquisar', mas antes, lógico, trocar 'Brasil' por 'qualquer lugar'. Desde que a seleção brasileira perdeu a copa, ele tá enviando sete pragas pra quem chamar ele de brasileiro”.

“Que merda, eu já não disse que é fake?! Tá cheio de bogus de Deus pelo Orkut”.

“Caras, parem com isso. Assim como pode ser fake, pode não ser. Nenhum dos dois tá conseguindo me provar muita coisa com essa discussão crédula ai”.

06 março, 2009

Beware, beware.

Em algum lugar do mundo – se ainda existir um – dois mil e vinte e sete.

- Estava googleando o nome do meu pai e olha o que encontrei.
- Que é isso? Seu pai tem um Fotolog? Ainda usam Fotologs?
- A última postagem data de dois mil e sete.
- Meus cromossomos ainda estavam separados por ai.
- É... E essa aqui também não é a minha mãe.
- Essa seminua enfiando a língua na orelha dele?
- Essa mesmo. Olha, olha aqui. Minha mãe é essa aqui, na outra foto com ele e mais uns cinco. Eram somente amigos.
- Feinha, heim?
- Mesmo assim diversificaram a amizade, olha essa outra foto... E essa música que ele postou.
- Artic Monkeys? Isso era muito ruim, cara. Essa geração curtia uma onda meio estranha.
- Emos, né? Eram todos emos naquela época.
- Mas não sei se essa banda era emo, não. Enfim, indies, emos, nunca consegui diferenciar muito bem.
- Rótulos demais, mesma bosta... Deixa quieto, melhor não ressuscitar década perdida.
- E no Orkut? Já deu uma pesquisada por lá.
- Já. Ele excluiu a conta.
- E a sua mãe?
- Hm. Deixa ver... Aqui. Essa aqui.
- Que foto é essa? Ela não comia, não? Ou era mal-comida?
- Respeita, cara.
- Desculpa, mas nem parece a dondoca que sai em coluna social hoje em dia. Com todo respeito, lógico.
- Você ta pegando pesado.
- Mas não é?
- Lê esse depoimento...
- Conheço essa cara. Hm, hm. Não é aquele jornalista? Aquele correspondente de guerra?
- Quase todos eles são correspondentes de guerra atualmente.
- Hm. Aquele que escreveu um livro: "a influencia da guerra na cultura pop", ou algo assim.
- É, acho que é.
- Ele namorou sua mãe?
- Parece que sim. Olha essas indiretas...
- Hehe ingênuos. E o depoimento foi escrito na mesma época daquela foto mais ousada lá com seu pai.
- Sério? Não tinha reparado.
- Err...